Entre conversas e desabafos, uma pessoa me disse que eu preciso parar de olhar para o passado e seguir em frente. Outro dia, em outra conversa, me disseram que se você está deprimido, você está vivendo no passado. E eu refleti sobre o quanto o nosso passado pesa em nossas vidas, mesmo já não fazendo parte dela. É inevitável que o passado já passou e não poderemos mudá-lo, mas percebi que precisamos lidar com as marcas que ele nos deixou e transformá-las em aprendizados. Ouvi que toda cicatriz, por pior que seja, carrega consigo uma história e esta história pode ser mais linda do que possamos imaginar, pois se trata da sua história e do seu aprendizado, uma experiência única que só você viveu. E eu novamente refleti sobre os dois lados do passado. A forma como lidamos com o passado moverá o nosso presente e refletirá em nosso futuro. Se cuidarmos da ferida, ela cicatrizará e se tornará um lembrete de um momento de descuido ou de dor. Mas, se a ferida não cicatrizar, apenas a dor permanecerá e tudo que poderíamos aprender será em vão. Em todas as minhas reflexões eu decidi cuidar das minhas feridas e deixá-las cicatrizar. Dói. É um processo doloroso, mas que eu sei que me permitirá seguir em frente, apenas com as histórias de aprendizado e com o amadurecimento que a dor trouxe para a minha vida. Seguirei mais forte. Cuidarei de mim, do meu corpo, das minhas feridas e serei uma pessoa fortalecida. Pensarei nas histórias passadas, mas lembrarei delas com uma sensação de aprendizado, de que precisava ser como foi para que hoje eu pudesse ser como sou. O passado nós já vivemos e precisamos deixá-lo passar para que toda a energia do nosso ser se concentre no presente e nas histórias que ainda vamos viver. Entre conversas e desabafos, percebi que o passado é apenas mais uma peça do nosso enorme quebra-cabeças e que sem ele a arte final não se completaria.
É difícil seguir em frente quando o coração insiste em ficar para trás. Se esforçar para esquecer o passado enquanto o coração teima em ser nostálgico. Viver em constante conflito de razões e sentimentos, pensar no próximo passo com os pés presos ao chão. É difícil se libertar de sentimentos que ainda estão presos em nós. É querer voar para longe sem abrir as asas. Viver entre a razão e a emoção é uma conquista diária e uma reflexão contínua. Lidar com as vertentes da vida não é uma simples tarefa, é preciso coragem para tomar decisões. Boas decisões. Em especial, as decisões que envolvem o coração e que modificam a alma. É preciso coragem para libertar a alma decidir com o coração.
Prazer, essa sou eu. É a primeira vez que escrevo sobre mim aqui no Escritora de Gaveta. É a primeira vez que eu realmente escrevo sobre mim, sem medos e sem preocupações. Que eu escrevo com o coração aberto e com um sorriso enorme no rosto. Essa sou eu, cheia de defeitos, mas cheia de intensidade. Cheia de medos, mas também repleta de coragem. A menina que cresceu, floresceu e amadureceu. Ouço Elis Regina, escrevo sobre reconstrução de conceitos e converso sobre poemas. A minha risada é tão engraçada quanto as piadas que tento contar. Faço da minha vida uma eterna página em branco, escrevendo todos os dias os meus sonhos, eternizando os meus sentimentos e vivendo de uma forma que eu nunca imaginei. Vivendo. Viver é muito mais mágico do que podemos imaginar. E eu não achei que fosse capaz de mudar, de viver de uma forma muito mais leve, de ser eu. E hoje, eu sou eu. É engraçado como essa última frase pode parecer extremamente sem sentido, mas existem inúmeras pessoas por aí vivendo sem serem elas mesmas, por mais inacreditável que isso pareça. Gosto da vida, gosto de viver. Gosto de me reencontrar todos os dias. Leio livros, escrevo sobre o amor e assisto filmes de terror. Sou indecisa e sentimental ao extremo. Canceriana. Cheia de criatividade. Vinte e um anos de muitos erros e aprendizados, de muito orgulho e amor. Essa sou eu, tentando caminhar sempre na direção certa, mas deixando o vento me guiar. Tentando florescer todos os dias. Cheia de sonhos, no meio de uma estrada linda e cheia de vida. Vivendo. Errando. Aprendendo. Apreciando. Agradecendo. Gosto muito de levar a gratidão sempre comigo. Tentando sair da caixa do preconceito, tentando libertar todos os dias o coração e a alma. Tentando realmente ser livre. Reconstruindo. Buscando sempre inspirações. Buscando sempre o amor. E a vida é mesmo essa busca eterna, essa reconstrução e essa intensidade, todos os dias caminhando por terras desconhecidas, descobrindo tesouros e encontrando piratas. E só você pode decidir se vai viver com mais ouro ou com mais morte. A escolha no final sempre será nossa. E assim, a gente se descobre e se molda, sempre em evolução. Agradeço por não ser mais a mesma pessoa de antes e por não ser a mesma de amanhã. Prazer, essa sou eu. Não sou perfeita, ninguém é. Mas, espero que de alguma forma essas palavras lhe toquem o coração. Para mim, uma pequena inspiração no coração de alguém já é válida por uma vida toda. Obrigada por me conhecer um pouco mais.
É sempre muito especial iniciar um novo ano. Ficamos cheios de novas expectativas, novos sonhos e novas metas. Traçamos objetivos e imaginamos como aquele ano novo poderá ser surpreendente. Mas, no fim das contas são todos anos iguais e só quem muda é a gente mesmo. Mudamos os objetivos, mudamos os planos, mudamos as metas e os sonhos. Mudamos para nos adaptar ao mundo, para nos adaptar em nós mesmos e em nossas mentes e mundos. Mudamos em busca de algo melhor, algo maior ou algo que nos faça um pouquinho mais feliz. Mudamos para sorrir. Nestes últimos dias antei pensando muito no quanto mudar é necessário e no quanto nos faz bem. Na verdade, eu tenho medo das mudanças, apesar de entender muito bem o quão importante elas são. Sinto como se eu estivesse presa em uma rocha segura e que se eu me soltar, talvez não consiga me firmar novamente. Mas, a vida é isso. A vida é uma rocha que nos faz seguros, mas chega uma hora em que precisamos nos soltar e caminhar sozinhos, até que encontremos uma nova rocha onde se apoiar. Todos os anos precisamos estabelecer onde, quando, como e com quem estará nossa rocha. Precisamos entender o motivo de termos essa rocha e se precisamos nos segurar nela. Precisamos escolher se vamos ficar ou caminhar. São tantas escolhas, tantos caminhos, tantas maneiras de se caminhar, mas o mais importante é estar feliz e certo de todas as suas escolhas, sem medo das mudanças. Mudamos no fim das contas em busca de nos completar e não podemos nos amedrontar com algo que só irá nos tornar pessoas maiores e melhores.
Em dias de frio vou pegar o meu cobertor e ficar assistindo televisão. Vou dormir e acordar com o cabelo todo bagunçado. Vou ligar para a minha mãe mesmo que ela esteja no outro cômodo da casa. Vou dormir novamente vendo aquele desenho animado que me faz lembrar dos tempos de criança. Vou sonhar que estou na casa do meu melhor amigo rindo até a barriga doer. Vou sonhar com os doces que comia quando estava ansiosa. Vou pensar que a vida não mudou, não mudou nada. Vou ficar parada, pensando nas horas que passaram e nas horas que eu perdi. Em dias de frio vou tomar chocolate quente e me sentir importante por ter um lar que me aquece. Em dias de frio vou fazer uma boa ação. Em dias de frio vou parar de me preocupar com as preocupações. Em dias de frio vou esquecer o frio que gela todos esses corações, vou aquecer minha mente e minha alma.





